ESTRATÉGIAS UTILIZADAS PELOS OBSESSORES



Conscientemente ou inconscientemente, usando ou não de artifício e sutilezas, o obsessor age sempre aproveitando-se das brechas morais que encontra em sua vítima. Os condicionamentos do pretérito são como ímãs a atraí-lo, favorecendo a conexão imprescindível ao processo obsessivo, que tanto pode começar no berço, como na infância ou em qualquer fase da existência daquele que é alvo de seu interesse. Obsessões existem que, apenas, dão prosseguimento, na Terra, à obsessão preexistente no plano espiritual.
Há casos, em grande número, em que a ação do verdugo espiritual tem início em determinada época, apresentando-se de maneira declarada, ostensiva ou de modo sutil quase imperceptível que vai num crescendo até o ponto em que se caracteriza perfeitamente o problema.
Agindo na “surdina”, o obsessor se utiliza de todos os recursos ao seu alcance. Sabe que o domínio que exerce sobre a sua vítima tem as suas raízes nos dramas do passado, em que ambos se enredaram, gerando compromissos de parte a parte. Sente, mesmo que não tenha cultura, instintivamente, que poderá interferir com o seu pensamento na mente daquele a quem persegue e também que a constância, a repetição exercerão uma espécie de hipnose que o medo e o remorso favorecem, conseguindo assim uma sintonia cada vez maior, até a subjugação ou possessão, dependendo da gravidade do caso e das dívidas que envolvem os personagens.
Nem sempre, porém, a ação do obsessor é fria e calculista. Nem sempre ele age com premeditação e com requintes de crueldade. Há obsessões, sim, que apresentam essas características, mas nem todas. Existem aquelas outras em que o algoz atua como que enlouquecido pela dor, pela angústia e sofrimentos. Não tem condições de raciocinar com clareza, sofre até mais que o obsidiado. Sua ação é desordenada, irrefletida e ele sabe apenas que deve ou tem de pedir contas ou se vingar daquele que o tornou infeliz.
Não tem noção de tempo, de lugar, às vezes, esqueceu-se do próprio nome, ensandecido pelas torturas que o vitimaram. Muitos não têm consciência do mal que estão praticando. Podem estar sendo usados por obsessores mais inteligentes e mais cruéis, que os atormentam, enquanto os obrigam a, por sua vez, atormentarem os que são objeto de vingança ou ódio. Obsessores que também são obsidiados.
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Via de regra, os obsessores chefiam outros obsessores, que tanto podem ser seus cúmplices por vontade própria ou uma espécie de escravos, dominados por processos análogos aos usados com os obsidiados encarnados.

Esses Espíritos são empregados para garantir o cerco, intensificar a perturbação não só da vítima como dos componentes do seu círculo familiar. Permanecem ao lado destes, acompanham-lhes os passos.
Vigiam-lhes os movimentos e têm a incumbência de ocasionar-lhes problemas, mal-estar, confusões, o que conseguirão desde que a criatura visada não se defenda com a luz da prece e o reforço de uma vida edificante, voltada para a prática da caridade e para o desejo constante do bem.
Nos casos mais graves, utilizam-se dos ovóides para vampirização, o que resulta numa questão bastante dolorosa e complexa de ser solucionada.
Os obsessores valem-se dos instantes do sono físico de suas vítimas para intensificarem a perseguição.
Nestas ocasiões, mostram-se como realmente são, no intuito de apavorar e exercer com isso maior domínio. Quando já há uma sintonização bem estreita, facilitada sobretudo pela culpa, o remorso e o medo, o obsessor age como dono da situação, levando o perseguido a sítios aterrorizantes, visando desequilibrá-lo emocionalmente, deixando plasmadas na sua mente as visões que tanto amedrontam.
Envolvem a vítima com seus fluidos morbíficos e, em certos casos, chegam à posse quase completa desta, através de complicadas intervenções no seu perispírito. Manoel Philomeno de Miranda narra que, em um paciente atormentado por obsessores cruéis, foi implantada “pequena célula fotoelétrica gravada, de material especial, nos centros da memória”. Operando no perispírito, realizou o implante, induzindo a vítima a ouvir continuamente a voz dos algozes ordenando-lhe que se suicidasse.
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Tais processos denotam imensa crueldade, mas não devem ser motivo de surpresa para nós, pois sabemos que na esfera física quanto na espiritual os homens são os mesmos.

Não há também entre nós processos de tortura inconcebíveis?
O que vem fazendo o homem em todos os tempos, em todas as guerras e até em tempo de paz, senão tentar aperfeiçoar os métodos de suplício, de modo a torná-los mais requintados, com o fito de provocar dores cada vez mais acerbas em seus semelhantes?
Temos acompanhado os mais diversos casos de obsessão. E sentimos de perto os dramas que se desenrolam nas sombras, nos círculos íntimos de tantas criaturas que padecem esse afligente problema, porque semanalmente os ouvimos, sentimos, recebemos, durante a reunião de desobsessão, quando nos inteiramos de casos que nos comovem e surpreendem pela complexidade e o inusitado das situações.
Grande número de entidades se manifestam dizem estar em determinado local, ao lado de certa pessoa e que aí são constrangidas a permanecer, tendo inclusive medo de sair, de desobedecer, de serem retiradas, porque o “chefe castiga’, não deixa”, etc.
Outras se comunicam confessando abertamente foram encarregadas de assustar determinada criatura ou família, e para isto provocam brigas, intrigas, confusões, insuflando idéias desse teor naqueles que se mostram receptivos, envolvendo-os com seus fluidos perturbadores, rindo-se dos resultados, zombando do medo e das preocupações que acarretam.
Zombam declaradamente das pessoas, revelando o modo de ação que empregam com a finalidade de se vangloriarem da própria esperteza e infundirem o temor entre os participantes da reunião, visto que também os ameaçam de usar em seus lares os mesmos métodos.
Certa vez, na reunião em que colaboramos, sentimos a presença de um grupo de Espíritos desencarnados entre 15 e 18 anos. Tinham a aparência desses que vemos nas ruas, denominados “pivetes” ou “trombadinhas”. Dentre eles comunicou-se uma mocinha desencarnada aos 17 anos, maltrapilha e extremamente zombeteira.
Contou-nos que andavam ao léu, pelas ruas, tal como faziam antes, dedicando-se especialmente a entrarem nos lares cujas portas estivessem abertas (e aqui no duplo sentido: físico e espiritual), com a finalidade de provocar desordens e brigas entre os moradores. Isto descrito num linguajar peculiar, com a gíria comumente empregada.
Também contou que tinham prazer em usufruir do conforto dessas casas, refestelando-se nas poltronas macias e desfrutando de comodidades que não tiveram em vida. Obviamente isto só era possível nos lares em que, embora havendo conforto material, o ambiente espiritual não diferençava muito do que era próprio a esses “pivetes” desencarnados.
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Foi preciso muito amor e carinho de toda a equipe para conscientizá-los de que existia para todos uma vida bem melhor, se quisessem despertar para ela.

Que havia ao lado deles pessoas que os amavam e que desejavam aproximar-se para auxiliá-los. E que acima de tudo estava Jesus, o Amigo Maior, que não desampara nenhuma de suas ovelhas.
Como a carência de amor dessas almas fosse bem maior que toda a revolta que os abrasava, aos poucos emocionaram-se com os cuidados e carinho de que foram alvo e, ao final, sob a liderança da jovem que se comunicou – uma espécie de porta-voz do grupo – e que foi também a primeira a se sentir amorosamente confortada, o grupo foi levado, após a prece comovente feita pelo doutrinador.
Durante a comunicação foi-nos possível divisar alguns quadros da vida dessa quase menina, que nasceu, cresceu e viveu em locais que os homens habitualmente denominam “na sarjeta'”. Sua desencarnação foi trágica, vitimada pelos maus-tratos de um homem.
Esse pequeno grupo de Espíritos não tinha consciência completa do mal que causavam, embora desejassem fazê-lo, vingando-se da sociedade que sempre os desprezara. Viviam de modo quase semelhante ao que levavam quando na vida material, apenas sentindo-se mais livres e com mais facilidade de ação. Não tinham ciência de que poderia haver para eles um outro tipo de existência, revelando-se-lhes, na reunião, aquele outro caminho: o das bênçãos do Alto em forma de trabalho digno e edificante.
O obsessor poderá valer-se, se for do seu interesse, de grupos semelhantes, visando a acelerar a consecução dos seus planos. Na quase totalidade dos casos que observamos, o obsessor não age sozinho. Sempre arregimenta companheiros e comparsas que o ajudam e outros que são forçados a colaborar cientes ou não do plano urdido pelo chefe.
Várias obras da literatura mediúnica espírita narram obsessões complexas, mostrando detalhadamente os meios e técnicas empregados pelos verdugos. Em Ação e Reação e Libertação, encontramos, respectivamente, o caso Antônio Olímpio e seu filho Luís, e o de Margarida. Em ambos, atuavam grandes falanges de obsessores. Igualmente no caso da família Soares, da obra Nos Bastidores da Obsessão.
Para que se atenda ao obsidiado, imprescindível socorrer simultaneamente toda a falange de algozes que o cerca. Aos poucos essas entidades menos felizes são atraídas para a reunião de desobsessão, num trabalho de grande alcance e profundidade. Gelmente, quando o chefe se comunica, quase todos os seus prepostos já foram atendidos e encaminhados, o que o torna enfurecido ou desesperado, tentando arregimentar novas forças e ameaçando os membros da reunião, que ele culpa e para os quais transfere parte do seu ódio.
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Daí, porque é fundamental que a reunião seja toda ela estruturada na fé inabalável no mais acendrado amor ao próximo, na firmeza e na segurança que une todos os seus integrantes e, especialmente, sob a amorosa orientação de Jesus e dos Mentores Espirituais – que são em verdade o sustentáculo de todo o abençoado ministério socorrista.

Frente a um obsessor cruel e vingativo, que ameaça não só os da equipe encarnada, mas que diz estender o seu ódio aos familiares dos que ali estão presentes, desafiando-os com todos os tipos de agressões verbais (evidentemente sofrendo a necessária censura do médium, que as transmite e que só deixa passar aquilo que o bom-senso permita), mas que ainda assim são de molde a atemorizar os menos afeitos a esses serviços, (É bom que se esclareça que, apesar de a maior parte do trabalho efetivada pela equipe espiritual, o obsessor vai voltar-se contra os encarnados por serem mais vulneráveis, já que não pode fazer o mesmo com os guias e trabalhadores espirituais), unicamente resistem aqueles que estão preparados para tal mister.
Os que tenham fé e experiência; que amem esse trabalho e, por conseguinte, tenham amor para doar a esses irmãos infortunados que a dor marcou profundamente; e tenham a mais absoluta convicção no amparo de Jesus através da direção espiritual que orienta todas as ocorrências.
E – por que não dizer? – estejam preparados para sofrer e chorar pela dor que asselvaja esses corações e os transforma em seres quase irracionais.
Tão amargurado ódio, tão angustiantes conflitos nos ferem também o coração, que se repleta de amor por eles, verdugos e vítimas, já que também, um dia, perdido nas brumas do passado, padecemos as mesmas inenarráveis torturas, que hoje a Doutrina Espírita veio consolar, explicar e ensinar-nos a curar.
Suely C. Schubert


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