A SOMBRA COLETIVA POR DEEPAK CHOPRA

🔺Sociedade dos Espiritos
#sombra


Nomear a sombra não foi o maior feito de Jung; nem a teoria dos arquétipos. Sua maior realização foi mostrar que os seres humanos compartilham um self. "Quem sou eu?" depende de "Quem somos nós?". Seres humanos são as únicas criaturas que podem criar um self. Na verdade, nós precisamos criar um, pois o self nos dá um ponto de vista, um foco ímpar do mundo. Sem um self nosso cérebro seria bombardeado com uma inundação desconcertante de imagens sensoriais que não fariam sentido. Bebês são isentos de um self e passam os três primeiros anos criando-o, elaborando sua personalidade e preferências, temperamento e interesses. Toda mãe pode afirmar que o tempo que o bebê passa como um quadro em branco é mínimo, se é que existe. Ingressamos no mundo não como passivos receptores de dados, mas como ávidos criadores. Uma vez que você se torna um self individual, com necessidades, crenças, impulsos, tendências, desejos, sonhos e temores, subitamente o mundo faz sentido. "Eu e meu" existem por um motivo - para lhe dar um direito pessoal no mundo. Todos temos um self e nos empenhamos muito em defendê-lo, em defender seu direito de existir. Mas nossa criação é frágil. Experimentamos crises pessoais, tais como a morte súbita de uma pessoa amada ou a descoberta de que estamos gravemente doentes. Qualquer crise que ataque nosso senso de bem-estar também ataca nosso senso de self. Se você perde sua casa, ou todo seu dinheiro, ou seu parceiro, esse acontecimento externo envia mensagens de medo e dúvida ao seu self. A qualquer momento em que você sente que seu mundo está ruindo, o que realmente está ruindo é o self e sua confiança, que compreende a realidade. Após um grande trauma causado ao corpo ou à mente, leva um tempo até que a frágil personalidade do ego se recupere. (Temos muita sorte de que este antigo provérbio seja verdadeiro: "Almas dobram, mas não quebram".) Pelo fato de não sabermos como criar o self ao qual nos agarramos tão desesperadamente, ele pode nos surpreender e impressionar. Freud causou uma imensa surpresa ao dizer que o self tem uma dimensão oculta repleta de ímpetos e desejos que mal reconhecemos. Depois de se tornar um dos mais proeminentes discípulos de Freud, Jung percebeu que o mentor cometera um engano. O inconsciente não tem a ver com o "eu". Tem a ver com o nós. Quando uma pessoa tem impulsos e ímpetos inconscientes, eles vêm de toda a história da raça humana. Segundo Jung, cada um de nós está ligado a uma "consciência coletiva", como ele assim chamava. A noção de que você e eu criamos nossos selfs separados e isolados é uma ilusão. Penetramos um vasto reservatório humano de aspirações, impulsos e mitos. Essa inconsciência compartilhada é onde também reside a sombra. Algumas pessoas são sociáveis, outras não, mas ninguém pode viver fora do self coletivo. "Nós" é um lembrete constante de que homem algum é uma ilha. Jung removeu a superfície social para expor a dimensão oculta do "nós". Chamar esse reino de inconsciente coletivo talvez tenha feito parecer mais técnico, mas o self que você e eu compartilhamos com todo o mundo é fundamental a nossa sobrevivência. Pense nas maneiras como você recai no jr/f coletivo. Aqui estão apenas algumas: 

• Quando precisa do apoio da família e dos amigos mais próximos. 
• Quando ingressa em um partido político. 
• Quando se oferece como voluntário a uma instituição de caridade ou uma comunidade.
• Quando escolhe lutar por seu país ou defendê-lo. 
• Quando se identifica com sua nacionalidade. 
• Quando pensa em termos de "nós versus eles". 
• Quando um desastre ocorrido em algum lugar o afeta pessoalmente.
• Quando é apanhado pelo medo coletivo.

 É uma fantasia acreditar que você pode optar por sair do "nós", mesmo quando todos tentamos fazê-lo. Simpatizamos com outros grupos étnicos, mas também nos sentimos diferentes, separados e, às vezes, melhores. Nas crises, queremos que nossos familiares fiquem o mais perto possível, no entanto, em outras ocasiões, persistimos em ser indivíduos com uma vida fora da família. A coalizão entre "eu" e "nós" é inquietante. Jung a tornou ainda mais inquietante. Quando se trata da sombra coletiva, as pessoas lutam para sair dela. (A sociedade nunca vai parar de se deslocar em direções que reprovamos.) Mas isso, na verdade, é mais difícil do que optar por abandonar um papel familiar; de fato, a família é apenas a primeira unidade ou nível coletivo do self, aquele que tendemos a enxergar com razoável facilidade. No réveillon, você pode anunciar que mudou, que não merece ser tratado como uma criancinha mimada ou um adolescente rebelde. Pode achar que não está sendo ouvido. Sua família pode ter investido muito para mantê-lo em sua caixa velha. No entanto, a sociedade é ainda mais ríspida e menos compreensiva. A sociedade tem seus ganchos invisíveis em todos nós. Você se torna um pacifista em tempos de guerra. Essa é uma escolha individual. No entanto, isso não o extrai automaticamente da sombra coletiva, onde a guerra nasceu do ódio, do preconceito, do ressentimento, de antigas mágoas e da zona vulnerável e sombria do nacionalismo. Talvez o termo depreciativo "memória racial" seja viável, embora nos faça sentir extremamente desconfortáveis. Ainda assim, milhões de pessoas não se sentem desconfortáveis ao dar "uma típica resposta masculina", ou falar sobre "motoristas mulheres". As questões relativas ao sexo se transformaram num devotamento ardentemente contestado. O inconsciente coletivo o mantém emaranhado nesse momento. Na superfície, o Cidadão X pode ser abertamente oposto ao Cidadão Y, porém, em nível inconsciente, eles podem estar ligados, como as duas pontas de uma corda, com cada um puxando para um lado. A escolha de entrar ou sair torna-se a questão central da sombra coletiva. Isso gera muitos questionamentos sobre a vida diária:

• Qual é a minha obrigação social ?
• Qual é o meu dever patriótico? 
• Até onde devo me conformar ou resistir à sociedade? 
• Qual é a intensidade da minha ligação com as outras pessoas 
• O que devo aos que são menos afortunados?
• Posso mudar o mundo? 

Ao fazer qualquer uma dessas perguntas, sua mente consciente não pode dar a resposta integral — nem sequer a mais verdadeira. Abaixo da superfície, o inconsciente coletivo está turvo pelos ímpetos, preconceitos, desejos frustrados, medos e lembranças que fazem parte de você, porque "nós" é sua identidade tanto quanto "eu".

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