SIMBIOSE PARASITÁRIA


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#ManoelPhilomenoDeMiranda

A. Pode alguém nascer com paralisia em face de um tiro que, no passado, ele próprio desferiu contra seu cérebro?
Sim. Esse era o caso do filho do Diretor-Presidente da instituição focalizada neste livro. Sua paralisia era resultado do tiro que lhe afetou a razão, destruindo o órgão dela encarregado. O cérebro atingido por ele, em face do gesto de revolta contra a vida, deixou impressões no perispírito, que lhe modelou a nova usina mental com as deficiências correspondentes à ação nefasta. (Loucura e Obsessão, cap. 19,  pp. 248 a 250.)
B. Nos casos de simbiose parasitária, o afastamento do obsessor pode levar o enfermo à morte?
Sim. Em casos assim os litigantes ficam tão intimamente ligados, quanto a planta parasita na árvore que a hospeda. Com o tempo, as raízes da naturalmente enxertada penetram na seiva da outra, gerando tremenda simbiose. Desse modo, os parceiros necessitam um do outro para viver. Com o desligamento, o obsessor sofre um grande desequilíbrio e o obsidiado falece. Pelo menos é isso que se dá na generalidade dos casos. (Loucura e Obsessão, cap. 19,  pp. 250 a 252.)
C. Há obsessões que funcionam como uma bênção?
Parece absurdo dizê-lo, mas existem, sim, obsessões que funcionam como bênção, facilitando a liberação do algoz que, noutras circunstâncias, certamente deixaria de reparar os males perpetrados, infelicitando-se ainda mais, em face dos desatinos a que se entregaria. Sob a constrição obsessiva, além de se conter, a pessoa está quitando por meio do sofrimento uma parcela de seus erros. (Loucura e Obsessão, cap. 20, pp. 255 a 257.)
Texto para leitura
117. A vingança é como um ácido que queima quem a desfruta – Comovido, o doutrinador prosseguiu: “O nosso não é o desejo de inocentar o criminoso, não obstante, queremos impedir que o irmão venha a tombar em erro equivalente, porquanto somente a Deus compete a equação destes problemas, em razão da Sua Sabedoria infinita, que dispõe de meios para regularizar os males, sem engendrar outros semelhantes ou piores. Falas do suicídio da filhinha, que teve os sonhos de menina trucidados pela ignorância do sedutor; no entanto, conforme não desconheces, ele também sucumbiu sob a sanha da mesma alucinação, interrompendo, anos mais tarde, a existência corporal, varando o cérebro com uma bala destruidora. Com aquela atitude originou-se a paralisia em que se amarra, porém, com a tua vingança, ele sofre mais amplos limites mentais...”
– “Não é assim”, replicou o Espírito.  “A sua limitação é resultado do tiro que lhe afetou a razão, destruindo o órgão dela encarregado.”
– “Comprazo-me em descobrir que conheces a Lei de Causa e Efeito, mas surpreendo-me por constatar que, não obstante a identifiques, permaneças desafiando-a hoje, a fim de sofrê-la amanhã...” Esta observação oportuna colheu o Espírito com grande impacto. O doutrinador, contudo, prosseguiu: “É certo que o cérebro atingido, em face do gesto de revolta contra a vida, deixou impressões no perispírito, que lhe modelou a nova usina mental com as deficiências correspondentes à ação nefasta... Apesar disso, porque o afliges, Espírito-a-Espírito, o enlouqueces, e, em razão da tua presença ameaçadora, ele se debilita, o que te permite tomá-lo e agredir-nos, arrojando-o contra as paredes, os objetos e o solo... Se tiveres misericórdia e o deixares por um pouco, ele prosseguirá encarcerado nas grades do suicídio, porém, menos desditoso, podendo pensar, além do uso do cérebro danificado, e compreenderá a sabedoria e a necessidade do sofrimento. Vê-lo-ás padecendo, se isto te faz bem...”
– “É certo que me agradará, todavia não terei o prazer de saber-me ser quem lhe inflige a cobrança, quem o submete, a fim de que nunca mais traia ou desgrace a quem quer que seja. É isto, o gosto da vingança!”
– “Um gosto ácido, que igualmente queima e requeimará quem o liba”, replicou o doutrinador. “Aproveita-te deste momento, nós te pedimos por Jesus-Cristo, o assassinado sem culpa, que perdoou e volveu a amparar os que o negaram, traíram e lhe esqueceram todos os benefícios.”
– “Não o farei! Jesus foi crucificado porque desafiou as leis então vigentes. Pagou, através da morte, os ideais da sua vida.”
– “Então, eu te rogo, em nome da Mãe dele, sem culpa alguma, cujo crime único foi ser genitora extremada e nada poder fazer em favor do Filho, de cuja missão e grandeza, em sua humildade, talvez não tivesse o conhecimento, na sua total dimensão, porém, daria a sua pela vida dele. Pedimos-te, portanto, em Seu nome, e em homenagem a esta mãe, também crucificada na agonia...” O apelo causou um grande choque no perseguidor, que titubeou. Era ele um Espírito lúcido, que agia conscientemente e conhecia a realidade na qual se encontrava. (Loucura e Obsessão, cap. 19,  pp. 248 a 250.) 
118. Nos casos de simbiose parasitária, o enfermo não resiste ao afastamento do outro – Naquele momento, a irmã Anita retornava ao recinto conduzindo uma Entidade adormecida, que se encontrava na faixa etária dos dezesseis anos, reencarnada e portadora de suave beleza, embora assinalada por funda melancolia. Era a mesma filha do perseguidor, que voltara à carne e, na condição de surda-muda, resgatava no silêncio o engano da alucinação suicida. Anita aproximou-se de Antenor e apresentou a jovem, que foi então carinhosamente despertada. Ela olhou em volta, mas não compreendeu o que ali se passava. O pai, no entanto, reconheceu-a imediatamente e, abruptamente vencido por variadas emoções, ajoelhou-se, fazendo o médium, automaticamente, a tomar a mesma postura. Abraçando as pernas da filha e chorando muito, ele – que chegou a odiá-la por algum tempo na existência pretérita – clamou: “Perdoa-me, filha querida, perdoa-me! Quanta dor e saudade!... Oh! Deus, quanta dor, ainda!...” As lágrimas não permitiram, no entanto, que ele continuasse. O doutrinador, então, tomando as mãos do médium, o ergueu, esclarecendo: “Deus é amor e te traz a filhinha de volta. Embora reencarnada, poderás agora acompanhá-la, ajudá-la, e reparar, também, os teus erros. Terás sido, por acaso, um pai sem falha? Não terá ela saído do lar, a fim de liberar-se um pouco da tua opressão? Medita!” O Espírito da jovem foi, lentamente, recobrando a lucidez e, envolvido pelas vibrações do antigo genitor e pelas forças psíquicas de Anita, balbuciou: “Pa...pai!... Onde... estou?” Os dois então se abraçaram, sustentados pelos Benfeitores a postos, em meio à alegria que se estampava nos rostos dos familiares e amigos presentes. O doutrinador apelou então para o perseguidor de seu filho, dizendo-lhe: “Agradece, meu irmão, este momento. Agradeçamos todos, e, como sinal do teu reconhecimento, liberta a quem te fez infeliz”. Um silêncio demorado se fez na sala, e, em seguida, o comunicante respondeu: “Você pede-me que o liberte e não tem ideia do que solicita. A palavra liberte terá um significado muito profundo, quase terrível para você e para ele, para a família, caso eu concorde com o apelo. Estamos tão intimamente ligados, quanto a planta parasita na árvore que a hospeda. Com o tempo, as raízes da naturalmente enxertada penetraram na seiva da outra, gerando tremenda simbiose. Ambos nos necessitamos para viver. Embora eu aqui me encontre, estou vinculado a ele... Se eu arrancar-me do seu convívio físico e mental, eu me desequilibrarei muito, e o corpo dele morrerá...” Essa frase produziu um choque. A Mentora manteve, porém, o apoio sobre o doutrinador, que se abalou, mas recompôs-se e prosseguiu: “Faze a tua parte, e o restante é com o Pai Celestial, realmente o dono da vida”. (Loucura e Obsessão, cap. 19,  pp. 250 a 252.) 
119. A trama obsessiva chega a seu termo – O perseguidor ouviu-o, mas reiterou o que dissera: “Seu filho morrerá, então, infelizmente. Sem mim, ele não sobreviverá. Escolha: tê-lo comigo, ou, sem mim, perdê-lo”. A mãe do obsidiado estava a ponto de desequilibrar-se. Anita retirou, então, a jovem, após adormecê-la, e Dr. Bezerra, que até então auxiliara, sem atuar diretamente, aproximou-se da senhora sofrida e tocou-lhe a fronte, dizendo-lhe, mente-a-mente: “Confia em Deus. Nossos filhos são filhos da Vida, quanto o somos também. Não temas, e confia. Ocorrerá o melhor, o que seja de mais edificante para ti, o filho e o esposo. Acalma-te e aguarda!” A mulher registrou a palavra amorosa do Mentor e foi dominada pela energia refazente que, partindo dele, a penetrou, dulcificando-lhe o corpo e a alma cansados. A decisão seria do pai, que, prosseguindo telementalizado pela Mentora, dirigiu um olhar interrogativo à esposa, nublado de pranto, e ela, reencorajada, meneou a cabeça, balbuciando: “Seja feita a vontade de Deus!” Ele, então, apostrofou, reanimado: “Abraão não tergiversou em levar o filho ao altar do sacrifício, submisso a Deus... Eu darei a minha vida pela do meu filho, dependendo da vontade do Senhor, se for o caso. Assim, meu irmão, haja o que houver, eu te suplico: tem misericórdia dele e de ti mesmo...” Profundamente sensibilizado, o comunicante aquiesceu, dizendo: “Perdoai-me, os pais e vós outros por tanta desgraça. Reconheço que agora sou o mais infeliz de todos. A minha insistência na perseguição gerará mais infortúnio: todavia, a minha renúncia produzirá a amargura. Entre as duas conjunturas, elejo a que menos mal irá causar-vos. Desse modo, rogando a Deus que tenha misericórdia de todos nós, eu me despeço, e prometo que libertarei aquele que me fez o mal, a quem tentarei perdoar de todo o coração”. – “Deus te abençoe e te guarde!”, concluiu o doutrinador. Em seguida, foi encerrada a sessão.(Loucura e Obsessão, cap. 19,  pp. 253 e 254.) 
120. Há obsessões que funcionam como uma bênção – A notícia referente à desencarnação do obsidiado causou em todos, inclusive Miranda, compreensível impacto. A informação do parasita espiritual  fora clara e, realmente, na esfera das vidas em simbiose, a extirpação de uma agride e mata, às vezes, a outra. Dirigindo-se com Miranda e o Benfeitor até à casa dos pais do jovem obsesso, a bondosa Emerenciana esclareceu que eles, Anselmo e D. Clotilde, haviam-na buscado, anos atrás, na expectativa de solução para o problema de saúde do filho Alberto. Tomando conhecimento da gravidade do caso, ela os cercara de carinho, mas não lhes deu esperança de total recuperação do paciente, porquanto havia razões profundas e de difícil regularização que motivavam a expiação, em cujo quadro se destacava aparasitose obsessiva.(1) Não ressumavam ali apenas os fatores causais, da reencarnação anterior. Espírito calceta, inveterado no erro, Alberto agravara, cada vez mais, em sucessivas experiências terrestres, o seu processo evolutivo. Emerenciana, contudo, evitara informar aos genitores do rapaz quanto era difícil amenizar-lhe o quadro expiatório. À medida que o casal descobria a excelência da fé, mediante a inabalável certeza da imortalidade e da justeza das propostas da reencarnação, foi crescendo e assumindo responsabilidades na Casa, tornando-se ali, os dois, membros atuantes e devotados. O sofrimento causado pelo filho permitiu-lhes adquirir equilíbrio emocional e estruturação espiritual segura, nos postulados do bem. Anselmo passou a estudar as Obras espíritas e, homem lúcido, não teve dificuldade em assimilar, incorporando-os à sua conduta, os ensinamentos hauridos na Revelação dos Imortais, tornando-se, por fim, Diretor-Presidente da singela instituição, onde se dedicava também à tarefa de doutrinação dos Espíritos. Numa dessas reuniões, dois anos antes, Emerenciana pudera dialogar com ele, penetrando na realidade viva da enfermidade do filho, e lhe explicara que existem obsessões que funcionam como bênção, facilitando a liberação do algoz que, noutras circunstâncias, certamente deixaria de reparar os males perpetrados, mais se infelicitando, em face dos desatinos a que se entregaria. Além disso, o afastamento do alienador não resolveria o problema, visto que a verdadeira saúde é interior, é a cura do Espírito, o que, muitas vezes, somente no além-túmulo se expressa em sua totalidade. (Loucura e Obsessão, cap. 20,  pp. 255 a 257.)

(1) Parasitose [do grego parásitos e do latim parasitu] – O processo de obsessão em que o obsessor faz o papel de parasito e o obsidiado de hospedeiro, com o primeiro sugando os princípios vitais do segundo.

Fonte: Loucura e Obsessão
Manoel Philomeno de Miranda
Médium; Divaldo Franco

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