JULGAMENTOS


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#Julgamentos

Julgar é um hábito muito comum, parece mesmo uma ação automática, mais que mecânica. Se voltamos nossa atenção para um determinado objeto, a mente começa a julgá-lo imediatamente, não espera nem pelo momento seguinte. É um movimento quase inevitável.
 
Sempre que julgamos, estamos limitando, restringindo uma experiência, um aprendizado. E, desta forma, nos vemos impedidos de conhecer outras facetas do objeto julgado. Por exemplo, se já estipulamos, por antecipação, que um determinado sujeito é chato e ponto final, não teremos oportunidade de saber quem é realmente o sujeito julgado. Qualquer coisa que ele fizer ou disser passará pelo filtro do preconceito, formado no julgamento. E, assim, tudo nele será chato aos nossos olhos. Condicionados, absorveremos este retrato, este preconceito, e reagiremos de acordo com a imagem formada.
 
O julgamento, a crítica, a reclamação e a condenação, no fundo, não passam de formas de defesa. O ato de julgar nos dá a ilusão de que somos melhores, superiores ao outros, o que nos deixa mais à vontade para nos expressarmos. Julgamos por necessidade de auto-afirmação da mente, do ego. E a mente é insaciável, sempre precisará se auto-afirmar, sempre...
 
É comum ficarmos observando alguém que é supostamente melhor do que nós, à procura de uma falha, de um erro qualquer que o possa derrubar. Poderíamos usar esta capacidade de observação com propósitos mais nobres para melhorarmos e crescermos. Mas, lamentavelmente, não é o que costuma acontecer. De forma quase cruel, buscamos o pior detalhe, os deslizes, as deficiências, para nos sentirmos melhores. Julgamos o tempo todo.
 
O mesmo fazemos em relação às crenças. Não podemos admitir que a crença do outro seja tão boa ou tão verdadeira quanto a nossa, quando não melhor. Em nosso juízo interno, todas as crenças são falsas, são "coisas do diabo", de gente ignorante. Todos irão para o inferno, menos nós. Ao julgarmos as crenças de cada um, fechamos as portas para absorver algum conhecimento novo, para assimilar outras visões, que podem ser reveladoras até mesmo para a nossa própria crença. A maior preocupação é impor nossas crenças a terceiros, e não aprender com outras experiências.
 
Todo julgamento é baseado em conceitos que se formam no passado. Seria impossível julgar qualquer coisa ou pessoa se não existissem as experiências passadas. Isto significa que, quando julgamos, estamos incapacitados de viver o presente, a experiência que se apresenta à nossa frente, tangível e real.
 
A própria natureza ambígua de nossas mentes nos torna inseguros. E os julgamentos antecipados, a críticas, as intrigas, as cobranças e as reclamações são formas de compensarmos essa insegurança, de nos auto-afirmarmos, de manifestarmos nossa ausência de auto-aceitação, nosso descontentamento com a vida. Temos necessidade de humilhar e inferiorizar os outros, na tentativa de diminuir nossa insegurança, nossa miséria interior. No entanto, tudo isso não passa de uma grande ilusão.
 
Criamos expectativas em relação ao outro, idealizamos pessoas, construímos ilusões, e queremos que as satisfaçam, que as realizem. Quando tal não acontece, a reação imediata é julgar aqueles que supostamente nos frustraram, a partir das idéias e expectativas que criamos.
 
Quem de nós já não passou por uma situação que inicialmente parecia desfavorável e acabou se revelando como uma boa experiência na seqüência dos fatos? Este exemplo já devia ser suficiente para que parássemos de julgar as situações, de julgar as ações alheias.
 
 Precisaríamos analisar uma grande seqüência de fatos para podermos concluir algo realmente sensato. E, ainda assim, correríamos risco de termos feito um julgamento equivocado. Melhor seria não fazê-lo, melhor ainda seria não julgar coisa alguma.
 
Geralmente, nos magoamos quando alguém tenta nos mostrar uma verdade. Queremos contato com mestres, gurus, iluminados, mas não estamos prontos para ouvir a verdade. Melindramo-nos facilmente, identificamo-nos com tudo.
 
Por vezes, nem mesmo os mestres, os gurus, os iluminados, escapam ao nosso julgamento. Se alguém tenta nos orientar, com a melhor das intenções, não sossegamos enquanto não encontramos algo de errado nessa bem intencionada pessoa; e, se porventura a surpreendemos cometendo o mesmo erro que apontou em nós - pelo menos segundo nossa limitada visão –, sentimos nisto um profundo prazer. Somos cruéis.


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